Pavão: A estrela flaviense que partiu cedo demais

Pavão morreu em campo em dezembro de 1973

 

Fernando Pascoal Neves. Pelo nome de batismo, o talento que vamos falar pode passar ao lado dos adeptos mais jovens, mas a alcunha é imortal: Pavão. O maior talento futebolístico que saiu de Chaves. Flaviense de gema, brilhou no topo do futebol português ao serviço do FC Porto. Tinha o mundo nos pés quando, numa fatídica tarde de 16 de dezembro de 1973, no azarado 13.º minuto da 13.ª jornada, caiu no relvado das Antas e nunca mais se levantou. Morria um dos maiores guerreiros que Trás-os-Montes alguma vez viu. Tinha 27 anos.

 

Pavão, à direita, recebe instruções de António Feliciano, que o descobriu nas ruas de Chaves
Pavão, à direita, recebe instruções de António Feliciano, que o descobriu nas ruas de Chaves Fonte: Chaves Antiga

Mas recuemos a fita deste filme para o ano de 1947. Ainda com a cidade de Chaves dividida entre os rivais Flávia SC e Atlético Flaviense, nascia Fernando Pascoal Neves. O miúdo desde cedo descia a rua das Casas dos Montes, onde morava, com uma bola nos pés. O drible, sempre de braços abertos, faz com que lhe chamem de pavão. A alcunha ficou e Fernando passou a ser “O” Pavão.

 

 

O talento do jovem jogador chamou a atenção do histórico António Feliciano, campeão nacional pelo Belenenses e impulsionador das camadas jovens do GD Chaves. Foi de azul-grená que Pavão cresceu para o futebol e com o emblema do Desportivo ao peito jogou até aos juniores, altura em que Artur Baeta, responsável do FC Porto, leva o miúdo para a cidade invicta a troco de 300 contos.

 

Página do Jornal de Notícias sobre a morte de Pavão
Página do Jornal de Notícias sobre a morte de Pavão

Médio tecnicista de enorme qualidade, não demorou muito tempo até convencer o técnico brasileiro Flávio Costa a dar-lhe uma oportunidade na equipa principal portista e logo frente ao Benfica. Teve a responsabilidade de marcar Mário Coluna e foi implacável, essencial para garantir a vitória azul e branca. Com o sucesso, chegou a convocatória para a Seleção Nacional, estreando-se como o Brasil em 1968. No total, fez seis jogos pela equipa das Quinas.

 

 

De personalidade forte, chegou a ter dissabores com alguns treinadores, como quando confrontou José Maria Pedroto por ter ficado no banco de suplentes, o que lhe valeu uma suspensão e multa. Mas também tinha um forte carácter, que lhe levou mesmo a “largar” a braçadeira de capitão depois de se exceder para com um árbitro num jogo com o Leixões. Não se sentindo digno, passou o testemunho.

 

Esteve nove temporadas no estádio das Antas e o alto nível de Pavão despertou o interesse além fronteiras e logo do gigante Manchester United.

Milhares de pessoas assistiram ao funeral de Pavão
Milhares de pessoas assistiram ao funeral de Pavão

Teria tudo negociado com a equipa comandada por Tommy Docherty, com um salário de alto nível que usaria para abrir o bar com que sempre sonhou no Porto. Mas a vida pregou-lhe uma partida.

 

 

Chega, então, o dramático dia 16 de dezembro de 1973. Frente ao Vit. Setúbal, Pavão fez um passe para António Oliveira. Depois, caiu no relvado. Foi assistido perante o olhar de milhares de adeptos, mas o pior confirmou-se. Pavão morreu. O funeral do craque flaviense realizou-se na cidade do Porto e diz-se que foi um dos mais acorridos de sempre. Milhares de pessoas despediram-se do craque, o maior talento que Chaves já viu.

 

PERFIL DO JOGADOR

 

Nome: Fernando Pascoal Neves

 

Data de nascimento: 12-08-1947

 

Naturalidade: Chaves

 

Posição: Médio centro

 

Clubes na carreira: GD Chaves (Formação), FC Porto (1965-1973)

 

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